O Município de Idanha-a-Nova formalizou a submissão de um parecer desfavorável na plataforma oficial do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER). A autarquia manifesta oposição a alterações na transição energética que provoquem impactos ambientais permanentes e irreversíveis.
A possibilidade desta tomada de posição já tinha sido comunicada publicamente pela Presidente da Câmara Municipal, Elza Gonçalves, no dia 22 de junho de 2026, no Salão da Junta de Freguesia do Ladoeiro, durante a reunião de Câmara descentralizada aí realizada. A autarquia cumpre agora a intenção manifestada perante os munícipes através desta submissão formal.
A preservação da paisagem assume uma importância crucial para o concelho de Idanha-a-Nova, pelo que o Município contesta a degradação visual e a descaracterização morfológica decorrentes da instalação de megacentrais. Estas infraestruturas preveem um impacto cumulativo de 5 351 hectares, o que corresponde a cerca de 4% da área total do concelho, colidindo com o bem-estar das populações locais.
O Município idanhense sublinha a defesa da transição para fontes de energia limpa com base em modelos descentralizados de produção, no aproveitamento de zonas artificializadas, no incentivo ao autoconsumo e em comunidades energéticas de pequena escala. Estas opções asseguram que o conflito com a natureza e com as pessoas seja menor. Por isso mesmo, o Município de Idanha-a-Nova “rejeita a implementação de projetos de escala massiva que descaracterizem o património natural e comprometam o progresso local”, pode ler-se no parecer.
A Presidente da Câmara Municipal assume o propósito de “defender com intransigência a qualidade de vida dos Idanhenses e das gerações futuras”, recusando a premissa de que as metas de descarbonização nacional legitimem o sacrifício dos recursos endógenos do poder local.